N° 126 - Porque é que alguns perfumes nos agradam logo à primeira, e outros aprendem a agradar-nos?
Perfumes · Curiosidades
Existem fragrâncias que conquistam ao primeiro encontro: sente-as uma vez e já sabe que gostaria de as voltar a encontrar. Parecem-lhe familiares, como uma pessoa com quem entra logo em sintonia. E depois há os perfumes que fazem o contrário — aqueles que não compreende de imediato, que despertam curiosidade mas não convencem totalmente, e que volta a cheirar uma segunda vez. E depois uma terceira. Até que um dia, sem se aperceber, se tornam os seus favoritos.
Porque é que isto acontece? A verdade é que o nosso olfato tem uma memória muito mais complexa do que imaginamos. Muitas vezes gostamos logo de uma fragrância porque contém algo que já conhecemos: um citrino que nos lembra a infância, uma flor encontrada num jardim, uma nota amadeirada que associamos a uma casa querida. Outras vezes, pelo contrário, o perfume leva-nos a um território novo, e o cérebro precisa de tempo para o explorar.
É um pouco como acontece com certos livros: alguns fazem-se amar desde a primeira página, outros pedem confiança.
As fragrâncias mais particulares funcionam da mesma forma. Uma resina inesperada, uma especiaria pouco comum, um acorde verde e aromático podem parecer distantes no início, mas revelar nuances novas com o passar dos dias. Nunca decida se gosta de um perfume ao primeiro encontro: experimente vivê-lo durante alguns dias. Deixe-o acompanhar momentos diferentes, luzes diferentes, estados de espírito diferentes. Poderá descobrir que o perfume que menos a impressionou é precisamente aquele destinado a ficar.
Porque um perfume nem sempre nos conquista por aquilo que mostra de imediato — por vezes conquista-nos por aquilo que revela com o tempo. E são precisamente esses, que aprendemos a amar lentamente, os que se tornam, muitas vezes, os mais difíceis de esquecer.
Escrito por Adele
